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Em dezembro de 2025, mais de 650 especialistas de 120 países reuniram-se em Viena para a Conferência Internacional sobre Radioproteção em Medicina, lançando o Bonn+ Call for Action — uma atualização do histórico documento de 2012 para enfrentar os desafios das novas tecnologias. O documento reafirma que a proteção e segurança devem permanecer como prioridade máxima em meio à rápida transformação tecnológica da medicina. A radiação é utilizada em procedimentos médicos mais de 10 milhões de vezes por dia no mundo.

 

Bonn+: O Novo Marco Global para a Radioproteção em Medicina

Em dezembro de 2025, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reuniu em Viena mais de 650 especialistas de 120 países para a Conferência Internacional sobre Radioproteção em Medicina: X Ray Vision. O evento, co-patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela OPAS, resultou no lançamento do chamado Bonn+ Call for Action — um documento que atualiza e amplia o histórico Bonn Call for Action de 2012.

Por que isso importa?

Desde 2012, o cenário da imagem médica mudou radicalmente. Tomografias computadorizadas com reconstrução por inteligência artificial, fluoroscopia guiada por robótica, radiofármacos terapêuticos e sistemas de apoio à decisão clínica são hoje parte da rotina em muitos serviços. O Bonn Call for Action original estabeleceu 10 ações para melhorar a radioproteção em medicina, mas foi elaborado num contexto tecnológico muito diferente do atual.

O Bonn+ não abandona os princípios fundamentais — justificação, otimização e aplicação de limites de dose — mas os atualiza para um mundo em que a IA toma decisões de protocolo, os volumes de exames crescem exponencialmente e as tecnologias híbridas (PET/CT, SPECT/CT, PET/MRI) tornam a contagem de dose muito mais complexa.

O que muda na prática?

Para os profissionais brasileiros, a publicação do Bonn+ tem implicações concretas em várias frentes:

  • Regulação: O documento deverá influenciar revisões futuras das normas da CNEN e da ANVISA, alinhando a regulação nacional às melhores práticas internacionais.
  • Treinamento: O Bonn+ reforça a necessidade de formação continuada para médicos solicitantes, radiologistas, físicos médicos e técnicos — todos com responsabilidades distintas na cadeia de justificação e otimização.
  • IA e radioproteção: Pela primeira vez, o documento trata explicitamente do papel dos sistemas de IA na gestão de dose, exigindo que esses sistemas sejam validados clinicamente antes da implantação.
  • Equidade global: Um ponto central do Bonn+ é garantir que países de baixa e média renda também tenham acesso a sistemas de monitoramento de dose e infraestrutura de radioproteção.

O que fazer com essa informação?

Serviços de radiologia devem acompanhar a publicação oficial do Bonn+ e avaliar em que medida seus protocolos e sistemas de gestão de qualidade estão alinhados com as novas recomendações. Sociedades profissionais como a CBR, ABFM e SBFM têm papel fundamental em traduzir essas recomendações para a realidade brasileira. Fique atento às publicações derivadas da conferência, previstas para os próximos meses na plataforma RPOP da AIEA.

Referência: IAEA — "Global Experts Call for Strengthening Radiation Protection in Medicine" / Bonn+ Call for Action https://www.iaea.org/newscenter/news/global-experts-call-for-strengthening-radiation-protection-in-medicine

 


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